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28 de março de 2025

Buenos Aires parte 4

     Rapaz... eu fiquei um tempão sem escrever.

    Ainda mais tempo sem escrever sobre essa viagem.

    Acontece que nos últimos meses eu caí na pipeline do YouTube e decidi desviar os meus focos pra lá, e eu fiquei bem feliz com os resultados, postei alguns vídeos que se deram bem, e juntei 250 inscritos, escrevi 5 roteiros e descartei uns 500, aos poucos venho melhorando minha performance na câmera e editando mais rápido. Tem sido uma experiência muito legal, mas agora eu estou numa lombada criativa e meio que sem ideias sobre o que falar. Na verdade, ideias não faltam, mas o problema é estender e dialogar sobre esse mesmo assunto por tempo o suficiente pra resultar num vídeo legal, as vezes tem coisas que eu queria muito falar pra uma câmera e falar sobre com as pessoas, mas nem sempre elas se traduzem num VÍDEO legal, então vou voltar a escrever sobre a minha viagem pra tentar retomar o hábito da escrita sem ter a pressão de transformar isso num vídeo que vai ser visto por pessoas.

    Quase ninguém lê blogs em pleno 2025, então aqui é o meu lugar seguro pra escrever sem ser julgado.

     Onde paramos?

    Ah é, recoleta.  

    Imagine se pinheiros e campos do jordão tivessem um filho. É um bairro gostoso de andar, bem arborizado, espaçoso e jovial. Também é um ponto turístico popular, por ter um monumento que não funciona mais (floralis genérica), uma universidade (que estava fechada) e um centro cultural (que toma de 10 a 0 pra qualquer SESC da região paulista).

 




    Também tem o cemitério da recoleta, que é vizinho desse centro cultural aí, mas eu acabei não indo por escolha alheia (e também porque turistas precisam pagar pra entrar), mas parece ser um local bem marcante do bairro, tinha bastante movimento, e realmente tem alguns túmulos bem famosos lá, o do Gustavo Cerati deve ser o principal.

 

    Não sei se as ruas abaixo do cemitério ainda contam como esse bairro, mas de repente a recoleta fica extremamente urbana, especialmente quando é cortado pela Av. Sta Fe, que tem umas quatro estações de metrô pra cobrir ela.

    Essa rua também marca a nossa próxima parada, o El Ateneo Grand Splendid, antiga casa de ópera transformada em livraria gigantesca e extremamente bonita. Foi o lugar mais movimentado de todos que visitamos naquele dia, em contraste com o Puerto Madero relativamente deserto aqui parecia até outra cidade.


     Mas assim, tem um motivo pro lugar ser tão popular. É deslumbrante, mesmo. Não é nenhum Real Gabinete Português de Leitura, mas segue sendo uma arquitetura bem bonita, e que surpreendentemente funciona como livraria. Não comprei nada porque não sei espanhol. (Agora, descobri que eles aparentemente vendem discos, mas não achei nenhum lá!?!?)

     Já falei que o metrô de Buenos Aires é ótimo?? Ele não é tão limpo quanto a CPTM, mas também não é tão cheio, até mesmo em horários de pico, e também cobre muito menos território do que as linhas paulistas, mas é tão rápido ir de uma ponta a outra da cidade que o torna uma mão na roda pra qualquer um, turista ou não. Se você for visitar, corra atrás de algumas carteirinhas do SUBTE, é o meu conselho.

    


     Olhe a inocência nos olhos deste homem. Mal sabe ele que o mullet curto saiu de moda 6 meses antes dele cortar o cabelo assim.

 

     Dia seguinte, os males de qualquer viagem estavam começando a aparecer, tava todo mundo exausto, e remediamos isso por só turistar ao redor do nosso AirBNB.

     Eu eventualmente teria que falar sobre o quão bem localizado esse AirBNB é. Colado no metrô, num dos melhores bairros do país, e te garanto que foi mais acessível do que qualquer hotel da região central. Palermo em geral é um ótimo bairro, e provavelmente é a vizinhança com mais cara de europeia das que visitamos, é cheia de lojinhas nichadas e restaurantes chiques, tem ruas largas, tanto calmas quanto ruas que fervem de gente. Se eu fosse morar na CABA, provavelmente escolheria Palermo.

    Essa boa localização nos deixava uma gama decente de coisas pra fazer sem sair da proximidade do apê, e sinceramente só caminhar pela região já dava uma boa atividade de turista. Mas o Plaza Itália tinha um ZOOLÓGICO e um JARDIM BOTÂNICO, como eu não ia ir?

    Na fila do zoológico (que por sinal, nem precisamos pagar pra entrar) passou um passeador de cachorros com um número absurdo de cãezinhos e eu achei muito fofo


     Eu gosto que esse zoológico deixa os animais em regime semi aberto, até os que ficam em um espaço delimitado tem um espaço de movimentação mais dinâmico do que o zoológico médio, sério, um pavão gigante passou do meu lado e subiu numa árvore. São Paulo jamais faria isso.


AAAAAHHHHH QUE FOFOOO!!

    Eu queria ter pego um vídeo melhor das araras vermelhas e canindé que tinham lá, juro, a beleza desse bicho é um negócio que me deixou estupefato, a imagem não passa esse sentimento mas a penagem deles é tão vibrante que parece um pigmento de tinta vermelha mesmo, muito lindo.


 

    Fora do zoológico e no cruzamento pro jardim botânico vizinho passei por essa rua LARGA, mas LARGA mesmo, tipo facilmente tinha umas 15 faixas pra carros ali, eu não peguei um vídeo decente porque o semáforo era muito curto considerando o tamanho estúpido dessa rua (ou avenida, não sei) então não dá pra ter uma noção de o quão grande ela é por essa imagem.


     O jardim botânico é lindo, eu não sei tanto de plantas quanto eu sei de animais bonitinhos, mas é de graça e vale a visita.


     Aqui está um detour esquisito, eu não falei disso ainda mas o sorvete dos caras é bom pra caralho, tem uma rede chamada "freddo" que tem alguns dos melhores sorvetes que eu já tomei, os de frutas e creme são ótimos, além, obviamente do de doce de leite, especialidade deles.

    Mas na internet todo mundo fala que um tal de Rapanui é uma parada obrigatória pra quem quer experimentar o topo da linha dos sorvetes Argentinos. O prédio era super aconchegante, com um espaço ao ar livre todo arborizado e bem confortável.

     Acho que eu dei azar escolhendo os sabores, peguei um de dois sabores, um deles Doce de leite, e o outro uma framboesa misturada com alguma coisa. Tem como doce de leite ser ruim? Claro que não, tava incrível, mas esse de framboesa só não virou, tinha um gosto muito forte e o gosto ficou na minha boca por um tempão.



     Depois disso nos infiltramos nas profundezas de palermo. Descemos uma avenida longa que dói, minha mãe comprou lã e passamos por esse shopping ao céu aberto, depois disso ainda devemos ter saído em algum lugar para jantar, mas nada de notável, aí sim o dia acabou.


    (A parte 5 vai ser a última e não vai levar tanto tempo dessa vez.)

27 de janeiro de 2025

Eu não parei de escrever

     Não tinha jeito de eu ficar um mês sem postar nada aqui e não atualizar onde eu estive. Escrevi dois roteiros que foram pro YouTube, estive estudando e lendo bastante, também publiquei uma review de "As Meninas" - Lygia Fagundes Telles no GoodReads, então vou usar esse post como um recap de tudo que eu escrevi nesse período, estou explorando outras maneiras de me expressar fora o Blog, mas não quero abandonar esse lugar de jeito nenhum! Aqui eu escrevo sem medo nenhum e garanto que esse site é um dos motivos pra minha escrita ter "melhorado" no último ano. Isso foi o que eu estive fazendo no mês de janeiro:

 

 As meninas:


 

A definição de um "Slow Burner".
Começa bem sem rumo e confuso, é difícil distinguir as personalidades das três protagonistas até mais ou menos a metade do livro, e o fato do nome de duas personagens diferentes terem nomes bem parecidos (Lia e Lena) não ajuda muito.
Os "Devaneios" das personagens principais aparecem de forma bem nítida no livro, as vezes aparecem trechos bem longos sem vírgula ou pausa, meio que replicando os nossos pensamentos desenfreados, e por mais que isso seja bem interessante, torna a leitura bem confusa em certas partes, há outros momentos onde eu não consegui notar sobre quem o livro estava falando, já que ele troca os pontos de vista das protagonistas várias vezes e sem muito aviso, mas talvez isso venha do meu amadorismo na leitura.
Dito isso, acho que toda essa construção valeu a pena pra segunda metade do livro, especialmente o último terço, entender bem as personagens ajuda muito a entender as decisões que elas tomam, e o final com certeza é um destaque positivíssimo. Gostei.
  

 

Vídeos do YouTube:


 

    Pretendo continuar atualizando esse blog até não poder mais! Também preciso terminar o log de Buenos Aires, minha nossa... já se passaram quase 6 meses...

31 de dezembro de 2024

Minha aposta é no e-paper

    Avanços tecnológicos sempre são muito oito ou oitenta, ou é um negócio que realmente muda o nosso dia a dia, ou é só uma fad que vai ser esquecida na próxima semana.


    Teve gente que realmente pensou que NFT's seriam o futuro, por um momento, assim como gente que comparou a importância da internet a da máquina de FAX.

    Com a visão do futuro é fácil dizer o que daria certo e o que não fazia o menor sentido, agora, há uma bolha gigantesca em produtos de IA, e, por mais que eu pense que ChatGPT não vá para lugar nenhum, penso que essas ferramentas péssimas como microsoft copilot vão ser usadas como ferramentas de telemetria e spyware pesado até caírem no desuso por serem extremamente inconvenientes e não agregaram nada de realmente útil na experiência do usuário.

    Agora, os meus dois centavos.

    Uma tecnologia que acho ter verdadeiro potencial para se inserir em larga escala nos dispositivos modernos são: as telas de E-Ink.

    É meio chocante ver um kindle pela primeira vez, não parece nem real, uma tela digital idêntica ao papel, é algo que não faz sentido funcionar, mas funciona, mesmo que lento e monocromático, serve pra virar a página e já tá mais que bom. E por muito tempo foi só isso, um aparelho leitor premium muito confortável nos olhos, porém meio nichado e monopolizado pela amazon.

    Mas eu realmente acho que existe a possibilidade de e-ink virar algo mais comum com o tempo, eu já uso variações de filtro de cor azul/escala de cinza nos meus aparelhos faz tempo, (tem um artigo sobre isso) e o próximo passo lógico seria algo que use uma tela dessa, com a criação de tablets e celulares que só tem essas telas como opção, parece algo cada vez mais real.

Hisense A9, um smartphone Android com um tela E Ink e Snapdragon 662

    Há dois problemas principais com isso, refresh rate e a falta de cores, mas o que realmente importa é o refresh rate baixo, pela tecnologia consistir de partículas brancas e pretas que se mexem fisicamente, é complicado atingir taxas de atualização decentes, principalmente num telefone, onde tudo desliza, scrolla, pisca e se mexe, mas, eu pessoalmente acho que há muito espaço para melhora nesse quesito, já existem produtos no mercado com telas de até 60Hz, mesmo que eles sejam difíceis de encontrar e caros. O Daylight DC1 prova que isso pode existir, mesmo que atualmente seja algo incomum.


    Agora, cor é mais complicado. Mesmo assim, já existem aparelhos que fazem isso também! Só que, novamente, são caros, frágeis e difíceis de produzir.


    Dito isso, eu coloco minhas fichas no e-ink/e-paper pra eventualmente virar uma tecnologia super popular, mesmo que ela não vá substituir as LCD's tradicionais.

    Obrigado por vir ao meu TED Talk. Viva a tecnologia esquisita e de hipster.

    Falando nisso, esse site fez 1 ano nesse mês, né? Continuando a tradição de postar no último dia do ano uma matéria apressada, eu preciso dizer que escrever para esse blog foi uma das melhores coisas que eu decidi fazer. Feliz ano novo, que ele seja melhor do que esse!

17 de dezembro de 2024

A verdadeira pior cidade do Brasil

     Vamos supor que você é brasileiro e enriqueceu, seja como foi, você agora faz parte da minoria, da elite, e quer colher os frutos de seu esforço com uma viagem prolongada ou adquirindo uma casa na praia, de veraneio, inverneio, tanto faz; o Brasil é um país vasto em território e variedade, não faltam opções de cidades desenvolvidas e confortáveis para passar um tempo longe da rotina.

    As cidades grandes, Rio de Janeiro, São Paulo, todas tem seus bairros super luxuosos impenetráveis para o cidadão médio, Leblon, Pinheiros, oferecem todo o conforto que essas supermetrópoles infernais podem oferecer, caso a correria de capital não seja pra você, as regiões serranas do interior são muito bonitas e certamente abrigam muitos da classe alta no inverno, Gramado, Campos do Jordão, são diferentes de qualquer outro lugar daqui.

    Tem também o litoral, aposto que o sonho de muita gente é ter casa na praia, e a costa gigantesca do Brasil facilita um pouco disso, Seja recife ou ubatuba, até que é uma opção legal para quem gosta de praia.

    Mas aí tem Balneário Camboriú.

    Caso você seja 'aquele' tipo de rico: agroboy, divulgador do tigrinho, day trader, só uma cidade vai te receber calorosamente de braços abertos, o litoral menos litorâneo do Brasil.

     Num país com tantas opções legais pra viver sua vida de rico, Balneário consegue levar o prêmio de ser uma das mais visitadas e uma potência turística da região sul, por que? Não me pergunte. Sua roda gigante e praia 50% artificial atraiu esse público específico de ricos sem gosto, não é difícil ver Lamborghinis e RAM 2500 passeando pela orla nos fins de semana, e, sabe, eu também gosto de carro, mas como carros tão caros conseguem passar tanto uma impressão de que o motorista não tem o menor pingo de personalidade? Sabe, quando eu vejo um volvo na rua, eu sei que é um velho com gosto, mas quando eu vejo uma RAM, eu tenho CERTEZA de que o motorista é um metido a cowboy tentando impressionar menina, são os dois carros quintessenciais de ricos sem alma.

    É exatamente essa a impressão que eu tenho de Balneário Camboriú após o lançamento de Descer pra BC.


    

    Tem muito o que discutir sobre o estado atual da música brasileira, e é difícil falar sobre o quão ruim as coisas realmente ficaram sem soar como um vira-lata chato, recentemente parece que nos tornamos uma fábrica do cenário indie, Trrpln, Sonhos tomam conta e Samlrc são só alguns exemplos de artistas que receberam atenção positiva mundialmente, sem falar que somos um expoente na evolução da música eletrônica, não é a toa que o d.silvestre e o Ramon Sucesso apareceram no Pitchfork enquanto o RaMeMes ganhou um salve do Theneedledrop, o que eu quero dizer é que, contrário do pensamento popular, TEM SIM muitos artistas geniais que ainda vem de solo tupiniquim, o problema é que eles não recebem a atenção que merecem.

    O que mais me incomoda é que parece como até quem escuta essas músicas regularmente não gosta delas, é só ir nos comentários de qualquer música do Pedro Sampaio ou do Zé Felipe que uma piada falando mal da música deles provavelmente vai estar entre os cinco comentários mais curtidos. Pra quem são feitas essas músicas???

    E é aí que Descer pra BC acerta o alvo em cheio, quem escuta esse tipo de música é exatamente o tipo de pessoa que viaja pra Balneário no fim de ano, "cascos de pessoa com dinheiro e sem alma" é meio forte, mas exemplifica bem o que eu quero dizer.

    Brenno & Matheus caracterizam um fazendeiro cansado da vida rural, e que decide ir passar o fim de ano na praia, adoro que em uma das frases musicais a letra diz: "Prefiro pé na areia do que pé no capim", e a câmera dá zoom na areia mais CINZA e sem vida possível, depois, quando a câmera volta pra cara do Brenno (ou do Matheus, eu realmente não sei), não dá nem pra ver o mar, resultante da megaobra de alargamento artificial da praia. É esse o tipo de cinematografia sutil que eu quero ver na minha mídia!

 

Que areia maravilhosa. 

 

Se forçar bastante a vista, talvez dê pra ver o mar.

     O refrão dessa música circulou bastante na internet, a presença completamente aleatória de pessoas coloridas vestidas de alien realmente vende essa cena pra mim, tem até um alien anão. É algo que facilmente podia ser dum vídeo do Rezendeevil sendo usado pelas fábricas de industry plants pelo Brasil afora, seriam eles os "bombomzinhos pra pegar e morder" que a música fala sobre? Talvez.

 

postagem no bsky 

 

    Falando sério, eu queria parabenizar o Brenno & Matheus e o DJ Ari SL por essa música, eles zeraram a fórmula de hit número 1 dos streamings brasileiros, é uma canção construída em laboratório para ser tocada em 75% dos rádios de carros que descem a serra catarinense nesse fim de ano, falar que "meu ano só começa depois do carnaval", bate perfeitamente com a data de lançamento da música, é tão formulaico que se torna uma máquina de dinheiro perfeita, parabéns. E agora tão fazendo dinheiro pra caralho, inclusive em cima de quem tá de bunda doída pela existência dessa música, seja proposital ou não, eles viraram parte do exato público que visita balneário no fim de ano.

     Caso você queira vez mudança real no cenário musical contemporâneo, não culpe quem faz a música, e sim quem escuta.