Rapaz... eu fiquei um tempão sem escrever.
Ainda mais tempo sem escrever sobre essa viagem.
Acontece que nos últimos meses eu caí na pipeline do YouTube e decidi desviar os meus focos pra lá, e eu fiquei bem feliz com os resultados, postei alguns vídeos que se deram bem, e juntei 250 inscritos, escrevi 5 roteiros e descartei uns 500, aos poucos venho melhorando minha performance na câmera e editando mais rápido. Tem sido uma experiência muito legal, mas agora eu estou numa lombada criativa e meio que sem ideias sobre o que falar. Na verdade, ideias não faltam, mas o problema é estender e dialogar sobre esse mesmo assunto por tempo o suficiente pra resultar num vídeo legal, as vezes tem coisas que eu queria muito falar pra uma câmera e falar sobre com as pessoas, mas nem sempre elas se traduzem num VÍDEO legal, então vou voltar a escrever sobre a minha viagem pra tentar retomar o hábito da escrita sem ter a pressão de transformar isso num vídeo que vai ser visto por pessoas.
Quase ninguém lê blogs em pleno 2025, então aqui é o meu lugar seguro pra escrever sem ser julgado.
Onde paramos?
Ah é, recoleta.
Imagine se pinheiros e campos do jordão tivessem um filho. É um bairro gostoso de andar, bem arborizado, espaçoso e jovial. Também é um ponto turístico popular, por ter um monumento que não funciona mais (floralis genérica), uma universidade (que estava fechada) e um centro cultural (que toma de 10 a 0 pra qualquer SESC da região paulista).
Também tem o cemitério da recoleta, que é vizinho desse centro cultural aí, mas eu acabei não indo por escolha alheia (e também porque turistas precisam pagar pra entrar), mas parece ser um local bem marcante do bairro, tinha bastante movimento, e realmente tem alguns túmulos bem famosos lá, o do Gustavo Cerati deve ser o principal.
Não sei se as ruas abaixo do cemitério ainda contam como esse bairro, mas de repente a recoleta fica extremamente urbana, especialmente quando é cortado pela Av. Sta Fe, que tem umas quatro estações de metrô pra cobrir ela.
Essa rua também marca a nossa próxima parada, o El Ateneo Grand Splendid, antiga casa de ópera transformada em livraria gigantesca e extremamente bonita. Foi o lugar mais movimentado de todos que visitamos naquele dia, em contraste com o Puerto Madero relativamente deserto aqui parecia até outra cidade.
Mas assim, tem um motivo pro lugar ser tão popular. É deslumbrante, mesmo. Não é nenhum Real Gabinete Português de Leitura, mas segue sendo uma arquitetura bem bonita, e que surpreendentemente funciona como livraria. Não comprei nada porque não sei espanhol. (Agora, descobri que eles aparentemente vendem discos, mas não achei nenhum lá!?!?)
Já falei que o metrô de Buenos Aires é ótimo?? Ele não é tão limpo quanto a CPTM, mas também não é tão cheio, até mesmo em horários de pico, e também cobre muito menos território do que as linhas paulistas, mas é tão rápido ir de uma ponta a outra da cidade que o torna uma mão na roda pra qualquer um, turista ou não. Se você for visitar, corra atrás de algumas carteirinhas do SUBTE, é o meu conselho.
Olhe a inocência nos olhos deste homem. Mal sabe ele que o mullet curto saiu de moda 6 meses antes dele cortar o cabelo assim.
Dia seguinte, os males de qualquer viagem estavam começando a aparecer, tava todo mundo exausto, e remediamos isso por só turistar ao redor do nosso AirBNB.
Eu eventualmente teria que falar sobre o quão bem localizado esse AirBNB é. Colado no metrô, num dos melhores bairros do país, e te garanto que foi mais acessível do que qualquer hotel da região central. Palermo em geral é um ótimo bairro, e provavelmente é a vizinhança com mais cara de europeia das que visitamos, é cheia de lojinhas nichadas e restaurantes chiques, tem ruas largas, tanto calmas quanto ruas que fervem de gente. Se eu fosse morar na CABA, provavelmente escolheria Palermo.
Essa boa localização nos deixava uma gama decente de coisas pra fazer sem sair da proximidade do apê, e sinceramente só caminhar pela região já dava uma boa atividade de turista. Mas o Plaza Itália tinha um ZOOLÓGICO e um JARDIM BOTÂNICO, como eu não ia ir?
Na fila do zoológico (que por sinal, nem precisamos pagar pra entrar) passou um passeador de cachorros com um número absurdo de cãezinhos e eu achei muito fofo
Eu gosto que esse zoológico deixa os animais em regime semi aberto, até os que ficam em um espaço delimitado tem um espaço de movimentação mais dinâmico do que o zoológico médio, sério, um pavão gigante passou do meu lado e subiu numa árvore. São Paulo jamais faria isso.
AAAAAHHHHH QUE FOFOOO!!
Eu queria ter pego um vídeo melhor das araras vermelhas e canindé que tinham lá, juro, a beleza desse bicho é um negócio que me deixou estupefato, a imagem não passa esse sentimento mas a penagem deles é tão vibrante que parece um pigmento de tinta vermelha mesmo, muito lindo.
Fora do zoológico e no cruzamento pro jardim botânico vizinho passei por essa rua LARGA, mas LARGA mesmo, tipo facilmente tinha umas 15 faixas pra carros ali, eu não peguei um vídeo decente porque o semáforo era muito curto considerando o tamanho estúpido dessa rua (ou avenida, não sei) então não dá pra ter uma noção de o quão grande ela é por essa imagem.
O jardim botânico é lindo, eu não sei tanto de plantas quanto eu sei de animais bonitinhos, mas é de graça e vale a visita.
Aqui está um detour esquisito, eu não falei disso ainda mas o sorvete dos caras é bom pra caralho, tem uma rede chamada "freddo" que tem alguns dos melhores sorvetes que eu já tomei, os de frutas e creme são ótimos, além, obviamente do de doce de leite, especialidade deles.
Mas na internet todo mundo fala que um tal de Rapanui é uma parada obrigatória pra quem quer experimentar o topo da linha dos sorvetes Argentinos. O prédio era super aconchegante, com um espaço ao ar livre todo arborizado e bem confortável.
Acho que eu dei azar escolhendo os sabores, peguei um de dois sabores, um deles Doce de leite, e o outro uma framboesa misturada com alguma coisa. Tem como doce de leite ser ruim? Claro que não, tava incrível, mas esse de framboesa só não virou, tinha um gosto muito forte e o gosto ficou na minha boca por um tempão.
Depois disso nos infiltramos nas profundezas de palermo. Descemos uma avenida longa que dói, minha mãe comprou lã e passamos por esse shopping ao céu aberto, depois disso ainda devemos ter saído em algum lugar para jantar, mas nada de notável, aí sim o dia acabou.
(A parte 5 vai ser a última e não vai levar tanto tempo dessa vez.)